Falta de informação
dificulta dieta de portadores da doença celíaca
Alimentação sem glúten é o único tratamento
possível
Celíacos
têm intolerância permanente ao glúten
Cândida
Hansen
Os
portadores da doença celíaca enfrentam desafios diários para manter o único
tratamento que garante a sua qualidade de vida. Mas esses desafios não têm nada
a ver com custos elevados de alguma medicação ou com reações indesejadas por
causa da ingestão de alguma droga. O grande inimigo do celíaco é a falta de
informação da sociedade.
A doença
celíaca se caracteriza pela intolerância permanente ao glúten, uma proteína que
está presente no trigo, no centeio, na cevada, na aveia e no malte, e o único
tratamento possível para essa patologia é o não consumo de nenhum desses
produtos e nem de seus derivados. Mas, para isso, mais que uma enorme força de
vontade para resistir a diversas tentações como pães, massas ou bebidas
alcoólicas, é necessário ter certeza que o alimento que será consumido está
mesmo livre de glúten. E isso, muitas vezes, é mais difícil que parece.
Para
evitar o consumo de glúten e manter o tratamento contra a doença, a presidente
da Associação dos Celíacos do Brasil/RS (Acelbra), Ana Paula Carneiro Monteiro,
optou por eliminar as idas semanais aos restaurantes com a família.
— Eu
acabava me incomodando, me constrangendo, saindo mal. Se você fala que tem
intolerância ao glúten ou que é celíaco, ninguém sabe o que é. Se fala que é
alérgico, as pessoas acham que é frescura.
Esse
constrangimento sentido por Ana Paula é comum entre os celíacos. Isso porque
não basta escolher os alimentos que não contem glúten em sua composição, é
preciso questionar também sobre o preparo desses alimentos.
— Quando
vou a um restaurante e quero comer um arroz, por exemplo, tenho que perguntar
se ele foi feito na mesma cozinha que um bolo com farinha de trigo, porque o
glúten no ambiente contamina os outros alimentos. Tenho que questionar sobre os
temperos, o forno, os utensílios. Tudo isso pode contaminar os produtos e
causar alguma reação, especialmente nas pessoas mais sensíveis — declara Ana
Paula.
Além do
cuidado ao alimentar-se fora de casa, o celíaco também precisa ficar atento aos
produtos que compra no supermercado. Apesar da Lei nº 10.674/2003, que obriga a
informação sobre a presença de glúten em todos os produtos alimentícios
comercializados, diversos alimentos industrializados, como embutidos e molhos
prontos, possuem farinha em sua composição e podem ser perigosos para os
celíacos.
— Nenhum
portador da doença obedece a dieta, mas não é porque eles não querem obedecer,
é porque eles consomem glúten sem saber — afirma a gastroenterologista e
professora da UFRGS, Themis Reverbel.
Com
tantas restrições, a qualidade de vida do celíaco depende muito da informação,
que vai desde dados sobre a composição e o preparo dos alimentos até a
conscientização das pessoas, que não conhecem a doença e suas implicações.
— A
solução para o convívio do celíaco é o mundo ter essa informação, para que as
pessoas tenham um pouco mais de cuidado. Os celíacos, hoje, estão mal
assistidos, mal orientados e mal cuidados — afirma Ana Paula.
O que a
doença celíaca
Inicialmente, pensava-se que a doença celíaca era uma enteropatia do aparelho
digestivo. Hoje, já se sabe que ela é mais ampla: trata-se de síndrome de má
absorção que está ligada a defeitos estruturais e funcionais do aparelho
digestivo, especialmente do intestino delgado. A doença celíaca é considerada
uma desordem autoimune, na qual o organismo ataca a si mesmo, caracterizada por
uma intolerância permanente ao glúten.
Sintomas
Os
principais sintomas da doença celíaca clássica são a diarreia crônica ou a
prisão de ventre, inchaço, flatulência, irritabilidade e desenvolvimento
insuficiente entre as crianças. A doença também pode ter outras manifestações
que, aparentemente, não estão relacionadas a ela como a osteoporose precoce, a
anemia e até a infertilidade, tanto masculina quanto feminina.
Tratamento
O único
tratamento possível para o portador da doença celíaca é dietoterapia, ou seja,
o não consumo de qualquer alimento que contenha glúten.
Diagnóstico
A doença
celíaca pode levar anos para ser diagnosticada. Há exames de sangue capazes de
identificar anticorpos que são bastante eficazes, porém ainda insuficientes.
Após os exames, é necessário também a realização de endoscopia com biópsia e,
de acordo com o resultado, o paciente passa por um acompanhamento e a
realização de novas biópsias para o diagnóstico definitivo.
Grupos de
risco
A doença
celíaca é hereditária, é preciso uma predisposição genética para ser portador.
Somando essa predisposição ao consumo de alimentos com glúten, a doença
manifesta-se.
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Vida sem glúten21/12/2012